Passou pouco mais de um ano desde que ela viu o rapaz pela primeira vez. Ele estava no ponto de ônibus da faculdade, entusiasticamente conversando com um amigo de curso. Algo de doçura no seu jeito de falar, aliado a uma forma de ver ao mundo semelhante ao da garota, que observava encantada o mocinho que estava a pouco mais de um metro de distância, pensando: - Que menino fofo! (Sim, porque é isso o que as garotas costumam pensar quando se interessam por alguém).
Depois disso, alguns encontros inesperados nos corredores, mas ele nunca percebeu a existência da mocinha.
Que homem vai notar uma mulher que se julga um patinho feio, e que mergulhada em inseguranças e crises, não consegue sequer, manter contato visual por pouco mais de um milésimo de segundo?
Era esse o problema dela. Ela não sabia paquerar! Não se sentia confiante a ponto de estabelecer um contato por meio de olhares. Olhar para ele? Jamais! Desvio o olhar e baixo a cabeça...
Mas como tudo na vida passa e nada dura para sempre, a insegurança passou e a garota tornou-se mulher! E por esse motivo, começou a “se achar” muita coisa!
Na sala de aula, um pouco antes do início das atividades, cansada ela espera... Preguiçosamente, senta-se numa cadeira e apóia as penas em outra. Calma, tranqüila, serena. Sem pensar em quase nada, apenas no quanto estava se sentindo bonita naquele dia.
O moço chega, e inicia uma conversa animada com seus amigos. Ela desperta do seu momento de dispersão, volta para o planeta, para a sala de aula e vê, que a poucos metros de distância está o seu bonitinho. Fica feliz, fica interessada, olha pra ele e pensa consigo mesma: - Ulálá... Olha só quem está aqui!
Olha atentamente o rapaz, até que ele nota que está sendo observado. Depara-se com uma morena de tirar o chapéu, cheia de olhares e sorrisos pra com ele... O pobre começa a se distrair da conversa. A moça começa a enrolar os cabelos anelados, se acaricia, fita o rapaz, os olhares se encontram... Ela fica muito satisfeita por que conseguiu estabelecer contato! Finalmente ela estava paquerando... Que evolução!
Desvia o olhar para baixo, prende os cabelos. Olha pro mocinho novamente. Ele está sério, mas é perceptível que está alucinado! Ele sai da sala deixando sua “pretendente” para trás, mas isso não importa. O que importa agora, é o orgulho que nossa heroína sente-se de si mesma. Afinal, mais uma barreira foi derrubada!